Pular para o conteúdo

Conciliação infrutífera: o que significa e o que vem depois

O que significa"Infrutífera" quer dizer que as partes tentaram um acordo com o conciliador e não chegaram a um. "Frutífera" quer dizer que fecharam acordo, e "parcial", que fecharam acordo só sobre uma parte.

Na prática

Muitos processos começam com uma audiência de conciliação, em que um conciliador (ou mediador) tenta ajudar as partes a fazer um acordo antes de o juiz decidir. É o que acontece no procedimento comum (CPC, art. 334) e, quase sempre, nos Juizados Especiais (Lei 9.099/1995, art. 21). Muitas vezes a audiência é feita num CEJUSC, o centro de conciliação do tribunal, e por videoconferência.

No fim da audiência, o resultado é registrado na consulta:

  • Infrutífera: não houve acordo. O processo segue.
  • Frutífera: houve acordo sobre tudo.
  • Parcial: houve acordo sobre uma parte dos pedidos, e o resto continua em discussão.

Se a conciliação foi infrutífera

O processo continua, agora com a defesa e as provas:

  • No procedimento comum (vara cível), o réu tem 15 dias úteis, contados da audiência, para apresentar a contestação (CPC, art. 335, I).
  • No Juizado Especial, sem acordo, o processo vai para a audiência de instrução e julgamento, que pode acontecer logo em seguida ou em outra data (Lei 9.099/1995, art. 27). A defesa costuma ser apresentada até essa audiência.

Não fazer acordo não traz nenhuma punição. O que é punido é faltar sem justificativa: no procedimento comum, a falta é ato atentatório à dignidade da justiça, com multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa (CPC, art. 334, § 8º); no Juizado, se o autor falta, o processo é extinto (art. 51, I), e se o réu falta, pode haver revelia (art. 20).

Se a conciliação foi frutífera

O acordo é escrito num termo e homologado pelo juiz por sentença (CPC, art. 334, § 11; Lei 9.099/1995, art. 22). A partir daí, vale como uma decisão judicial: se uma das partes não cumprir, a outra pode pedir o cumprimento no próprio processo. Veja homologação de acordo.

Ainda dá para fazer acordo depois?

Sim. A conciliação pode ser tentada a qualquer momento do processo, inclusive depois da sentença ou na fase de cobrança (CPC, art. 139, V). Basta as partes, pelos advogados, apresentarem o acordo ao juiz.

O que os números mostram

Numa amostra de 61.630 processos de 33 tribunais (DataJud/CNJ), Conciliação sem acordo aparece em 0,5% dos processos. Quando aparece pela primeira vez, o processo costuma ter 3 meses de andamento.

Depois dessa movimentação, a próxima vem em menos de 1 dia na metade dos casos. Em um quarto dos casos, leva mais de 4 dias.

O que costuma vir depois
Próxima movimentaçãoDas vezesTempo típico
Juntada de petição12,9%5 dias
Juntada de documento10,9%menos de 1 dia
Recebimento do CEJUSC10,6%menos de 1 dia
Expedição de documento8,9%3 dias
Redistribuição8%1 dia
Audiência de conciliação8%menos de 1 dia

Antes dessa movimentação, o mais comum é Audiência (21%), Juntada de petição (20,1%) ou Audiência de conciliação (13,8%).

Outras formas desta movimentação na amostra: Conciliação com acordo (0,1% dos processos).

Tempo até a próxima movimentação, por tribunal
TribunalTempo típicoCasos na amostra
TJMAmenos de 1 dia51
TJCEmenos de 1 dia33
TJRJmenos de 1 dia28
TJAC3 dias109
TJSE3 dias98

Como calculamos: processos sorteados na API Pública do DataJud (até 2000 processos sorteados de cada tribunal; coleta de 09/10/2026). "Tempo típico" é a mediana: metade dos casos leva menos que isso, metade leva mais. Os números mostram o andamento comum, não o do seu processo, que depende da vara e do caso.

Explicação técnica

Resultado da tentativa de conciliação conduzida por conciliador ou mediador (CPC, arts. 165 e 334; Lei 9.099/1995, arts. 21 a 23). Obtido o acordo, ele é reduzido a termo e homologado por sentença (CPC, art. 334, § 11; Lei 9.099/1995, art. 22, parágrafo único). Sem acordo, no procedimento comum, o prazo de 15 dias úteis para a contestação conta da audiência (CPC, art. 335, I). Na TPU do CNJ: 12531 (Frutífera), 12532 (Infrutífera) e 12608 (Parcial), registrados pelo conciliador.

Perguntas frequentes

Conciliação infrutífera é ruim para mim?
Não. Só quer dizer que não houve acordo naquele momento. O juiz vai decidir o caso com base nas provas, e a recusa de um acordo não pesa contra ninguém.
Recusei a proposta da empresa. Posso perder por isso?
Não. Ninguém é obrigado a aceitar acordo. O processo segue normalmente.
Depois da conciliação infrutífera, quanto tempo até a sentença?
Depende do tipo de processo e da vara: ainda pode haver contestação, réplica, provas e audiência de instrução. A seção "O que os números mostram", nesta página, traz o tempo típico até a próxima movimentação.
O que acontece se a parte não cumprir o acordo?
A outra parte pede o cumprimento do acordo homologado no próprio processo, com possibilidade de penhora de bens, como em qualquer sentença.

Fontes

Fonte principal: TPU/CNJ, movimentos 12531, 12532 e 12608; Código de Processo Civil, arts. 139, V, 165, 334 e 335; Lei 9.099/1995, arts. 20 a 23 e 27. Atualizado em 09/10/2026. Conteúdo informativo; não substitui a orientação de um advogado ou da Defensoria Pública.

Termos relacionados